Escola Arte do Museu - Educação Infantil ao Fundamental I

“Meu filho mudou muito na pandemia!”

 

Blog Meu filho Mudou…

Temos vivido tempos difíceis; diria até mesmo sombrios e incertos. Os efeitos da pandemia não só atingiram nossa sociedade no nível macro, como também seus indivíduos de forma profunda e, muitas vezes, inusitadas. Frequentemente, os pais têm estranhado os comportamentos adversos dos seus filhos pequenos e adolescentes.

            Sem qualquer preparação, de um dia para o outro, o mundo mudou! Os pais, que antes saíam cedo para o trabalho, passaram a ficar em casa. As aulas foram suspensas e, suas brincadeiras sociais, proibidas. Ademais, as visitas aos familiares foram canceladas e os passeios ao ar livre, proibidos.

            A mudança da rotina pode levar as crianças ao estresse, acompanhado pelo aparecimento de comportamentos externalizantes importantes como: agressividade, choro, irritabilidade, nervosismo e desobediência. Sintomas internos como isolamento, falta de vontade para atividades, distúrbios no sono, falta de apetite e dores, também podem emergir.

            Imaginem, então, o impacto dessa nova rotina em crianças de três a seis anos, fase na qual há necessidade de espaço para exploração do mundo da qual faz parte aprendizagem e do desenvolvimento cognitivo? Não por acaso, pesquisas internacionais apontam os efeitos imediatos em crianças: desatenção, dependência excessiva dos pais, pesadelos, falta de apetite, desconforto e agitação (POLANCYK,2021) integram esse rol.

            No âmbito da EAM, recebi vários questionamentos de nossos pais e amigos sobre a apresentação de atitudes muito diferentes do perfil de seus filhos, como reações impetuosas ou comportamentos mais permanentes, observados nesse um ano e meio. Perguntaram se estes poderiam ser considerados “normais” ou se deveriam se preocupar mais seriamente.

            Penso que, à medida que seja possível ir voltando à rotina/dinâmica de vida de antes, sem as restrições tão rígidas e com o avanço da vacinação, certamente as nossas crianças e adolescentes irão retomar seu “centro”. Essa retomada será gradual, já que a reviravolta foi grande e aconteceu com muita rapidez, mexendo demais com o mundo mental de quase todos os seres humanos. Portanto, não é razoável esperar que tudo retome como antes num passe de mágica.

            A observação cuidadosa dos filhos é muito importante e, caso percebam, tanto os pais quanto a equipe escolar, que a criança está muito diferente, em sofrimento, desadaptada ao ambiente escolar e não consegue se readaptar, é aconselhável a busca de um profissional especializado, para que não haja prejuízo em sua rotina e consequentemente, para seu desenvolvimento global.